Mas muitas vezes, as vítimas eram expostas a riscos extremos e violência durante o trajeto.
“As vítimas, em sua maioria, pessoas humildes em busca de melhores condições de trabalho e vida, que entregaram valores econômicos desproporcionais para realizar a travessia. Em diversos casos, chegaram a ceder bens como automóveis, motocicletas e imóveis pertencentes à família, com o objetivo de ingressar nos Estados Unidos” informou o delegado .
Três agências faziam parte do esquema, sendo a principal em João Pessoa, na Paraíba, outra em Barra de São Francisco, e uma terceira em Central de Minas, Minas Gerais.
Das 406 pessoas identificadas, a maior parte é do Norte do Espírito Santo e Nordeste de Minas Gerais, mas o delegado afirmou que vítimas de vários outros estados também aparecem na lista.
Após a chegada em solo americano, as vítimas permaneciam obrigadas a arcar com parcelas elevadas, geralmente custeadas por meio de trabalho precário no exterior ou com o auxílio de familiares.
“Aquelas que não conseguem concluir a travessia ou que são deportadas passam a ser alvo de violência e ameaças, como forma de pressão para o pagamento das dívidas contraídas junto ao grupo criminoso”, destacou o delegado.
Ao longo do processo investigativo, a PF identificou que o grupo criminosos movimentou um total de R$ 12.763.992,13 por meio de diversas modalidades, incluindo transações diretas com as vítimas, movimentações em espécie ou cheque e operações de câmbio.
Os integrantes da associação criminosa são investigados pelos crimes de contrabando de migrantes (Art. 232-A do Código Penal), associação criminosa (Art. 288 do Código Penal) e lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/98). As penas somadas para esses delitos podem ultrapassar 23 anos de reclusão.
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