Os indicadores de emprego no interior do Espírito Santo revelam um contraste entre ocupação e renda. A taxa de desocupação foi estimada em 1,7% no segundo trimestre de 2026, abaixo dos 2,9% da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV). O rendimento médio mensal, porém, ficou em R$ 2.992,49, ou seja, 29,2% inferior aos R$ 4.223,75 registrados nos municípios maiores. Os números integram o boletim Mercado de Trabalho no Espírito Santo, divulgado em 28 de agosto pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No levantamento, o interior corresponde a todos os municípios capixabas fora da Grande Vitória.
Na conclusão do boletim, o IJSN relaciona a diferença de rendimento à estrutura produtiva de cada território. O interior apresenta maior absorção de quem participa do mercado, mas possui menor concentração de ocupações de alto valor agregado.
“Trata-se de um mercado com maior absorção da força de trabalho, mas com menor densidade de ocupações de alto valor agregado, refletindo uma estrutura produtiva distinta”, diz o boletim. A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Espírito Santo (ABRH-ES) e consultora em desenvolvimento humano, Neidy Christo, também considera que o porte e a complexidade das empresas influenciam o resultado.
“No interior, vemos comércios, supermercados e empresas de serviços, mas poucos municípios têm indústrias ou grandes empresas capazes de elevar a média salarial”, explica, completando que as ocupações mais bem remuneradas costumam exigir conhecimentos e competências específicas e estão mais concentradas onde existem grandes empresas e atividades de maior valor agregado.
Apagão de mão de obra
Para Neidy, o baixo desemprego convive com a dificuldade das empresas para preencher vagas porque nem sempre as competências dos candidatos correspondem às exigências das funções disponíveis.
“Tem a vaga e tem o profissional que quer trabalhar, mas, quando se avaliam as competências dele e os requisitos da vaga, não há encaixe”, relata.
Há, ainda, um outro lado. Na consultoria, ela acompanha empresas que oferecem salários, benefícios e condições de trabalho, mas enfrentam desistências antes da seleção. Em alguns casos, candidatos confirmam a participação e não comparecem à entrevista.
Um exemplo do apagão de mão de obra que acomete alguns setores capixabas, é que supermercados e indústrias tiveram de buscar profissionais fora do Espírito Santo. Neidy relata contratações de profissionais venezuelanos e a transferência de equipes formadas em outros Estados para evitar atrasos na abertura de novas unidades.
“No ano passado, foram trazidas 90 famílias venezuelanas, que estavam na fronteira com Rondônia para trabalhar em supermercados daqui. Fábricas de Linhares fizeram o mesmo. Há supermercados que inauguraram com equipes trazidas de outros Estados para não atrasar a abertura”, afirma.
Diferenças
A taxa de desocupação considera somente as pessoas que fazem parte da força de trabalho. Esse grupo reúne quem estava ocupado e quem procurou uma vaga e tinha disponibilidade para assumir o posto. Pessoas que não trabalhavam nem buscavam uma ocupação ficam fora do cálculo do desemprego.
O interior tinha cerca de 1,71 milhão de pessoas em idade de trabalhar. Desse total, 1,03 milhão integrava a força de trabalho, com 1,01 milhão de ocupados e 17 mil desocupados. Outras 679 mil pessoas estavam fora da força de trabalho.
Na Região Metropolitana, 1,10 milhão de pessoas integravam a força de trabalho. A região tinha 1,07 milhão de ocupados, 32 mil desocupados e 591 mil pessoas fora desse contingente.
Por isso, apesar do desemprego menor, o nível de ocupação do interior era de 59,2%, abaixo dos 63,2% da Grande Vitória. Esse indicador mede a proporção de pessoas ocupadas em relação a toda a população em idade de trabalhar.
Assim, a taxa de 1,7% mostra que quase toda a força de trabalho do interior estava ocupada. Não significa, contudo, que a região empregava uma parcela maior de todos os moradores em idade ativa.





















































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