O PL e o Republicanos iniciaram, formalmente, as negociações para uma aliança visando as eleições de outubro.
Numa reunião, na quarta-feira (08), que contou com os presidentes nacionais e estaduais dos dois partidos, as conversas avançaram e apontaram para as condições necessárias para que as duas legendas formem uma dobradinha. No plano nacional, tudo caminha para que o Republicanos feche apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Antes da oficialização, no entanto, o partido terá de equacionar impasses em cinco estados – entre eles, o Espírito Santo.
Pelo que a coluna De Olho no Poder apurou, o Republicanos quer a reciprocidade, ou seja, que em troca do apoio nacional a Flávio, o PL não lance candidatura própria, mas apoie o ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao governo do Estado.
Mas essa é apenas uma das frentes da negociação. A mesa também abriga outros pontos.
Discurso alinhado
Em coletiva de imprensa ontem, após a reunião, o senador Magno Malta, que preside o PL capixaba, afirmou que as conversas com o Republicanos avançaram para uma possível coligação, mas que é preciso alinhar o discurso.
“Avançaram as conversas, as pautas andaram. Nós precisamos alinhar o discurso. Nosso discurso inclui nossos irmãos presos no dia 8, anistia, presidente Bolsonaro, os crimes de ditadura impostos pelo STF ao povo brasileiro. Eu vou para rua com esse discurso”.
Questionado se o Republicanos teria que adotar o mesmo discurso, Magno sinalizou que sim, citando principalmente o Estado: “Estou falando da minha paróquia, acho que temos que falar a mesma língua, senão não tem como coligar”, cravou o senador.
Em outras palavras, a resolução do impasse dependeria do Republicanos – leia-se, Pazolini – assumir uma postura pública de apoio às pautas que são caras ao bolsonarismo, além de apoiar publicamente Flávio à Presidência.
Em 2024, quando concorreu à reeleição de prefeito, Pazolini evitou nacionalizar a campanha – o que lhe rende algumas cobranças e críticas, até hoje, de grupos de direita e extrema-direita. De lá pra cá, o ex-prefeito chegou a ver algumas sinalizações, porém tímidas, sobre as pautas demandadas pelo senador e, até o momento, não falou publicamente sobre a disputa presidencial.
O senador Magno Malta tem uma meta na eleição do Espírito Santo: eleger a filha Maguinha Malta ao Senado. Embora não tenha citado esse ponto na coletiva, a eleição da filha é prioridade para o presidente do PL capixaba.
Isso colocado, seria quase que improvável imaginar que as negociações para o fechamento de uma aliança não passem por esse ponto: a garantia de espaço para que Maguinha dispute a vaga majoritária. E não só o espaço, mas ter também condições para que ela faça uma campanha competitiva.
Acontece que, no grupo de Pazolini, outros nomes também desejam o mesmo espaço. O deputado federal Evair de Melo (Republicanos), o ex-deputado Carlos Manato (Republicanos) e o deputado estadual Sergio Meneguelli (PSD) já se apresentaram para a disputa, além do ex-governador Paulo Hartung (PSD), que é cotado.
Duas vagas estão em jogo e, pela lógica, a coligação poderia lançar dois nomes para concorrer. Entretanto, todo o mercado político sabe que, numa disputa tão acirrada como projeta ser a de Senado, ter dois nomes com mesmo peso e no mesmo grupo é arriscado. E pode fazer com que os votos sejam diluídos.
Se chegarem a essa conclusão, a solução para o grupo seria a de adotar apenas um nome, para apoiar com força total, como o nome único da direita. Uma saída que favoreceria a eleição de Maguinha.
Porém, se essa for uma das condições do PL para apoiar Pazolini, o impasse interno aumenta. O PSD, que caminha há mais tempo com Pazolini, abriria mão de ter um candidato ao Senado para apoiar Maguinha? E os demais pré-candidatos, a apoiariam?
O fator PH

Na tarde desta quinta-feira (09), o cabo da PM Diego Cassotto (PL) publicou um vídeo em suas redes sociais tratando da possível coligação entre o PL e o Republicanos.
“Quero deixar uma coisa bem clara aqui (…) Eu sou leal ao partido e às decisões que o partido tomar, e ao meu comandante, o senador Magno Malta e ele sabe das minhas convicções (…) Em 2017 minha tropa sangrou e até hoje meus irmãos de farda estão doentes por causa disso. E a figura central foi o ex-governador Paulo Hartung”, disse Cassotto, referindo-se à greve da PM.
“Quero deixar uma posição definitiva: qualquer projeto de governo liderado pelo ex-governador Paulo Hartung eu não quero fazer parte. Eu não estarei no mesmo palanque que ele”, concluiu Cassotto.
A manifestação do militar passaria despercebida em qualquer outro cenário, porém, ele é uma liderança que tem sido cotada como um “plano B” para disputar cargos majoritários pelo partido nestas eleições. Sua voz tem peso no grupo.
A contrariedade de Cassotto pode criar um empecilho para o fechamento de uma aliança com o Republicanos, que tem entre seus aliados o PSD – e, por sua vez, sua maior liderança: Paulo Hartung. E a relação entre Republicanos e PSD não é apenas partidária.
O presidente do Republicanos capixaba, Erick Musso, é aliado de Hartung desde a última gestão do ex-governador (2015-2018), quando Erick foi presidente da Assembleia Legislativa.
Antes mesmo de Hartung se filiar ao PSD, os dois já se articulavam para as eleições deste ano. Numa postagem em suas redes sociais, o ex-governador chegou a chamar Erick de “nosso coordenador” – apenas para ficar em alguns exemplos.
Por essas razões, dificilmente o Republicanos deve abrir mão de uma parceria com o PSD, que já declarou apoio a Pazolini, por meio do presidente estadual e prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos. E, quem chega primeiro na aliança, quer beber água limpa, ou melhor, quer ter protagonismo.
Cotados para vice
Oficialmente, ninguém fala a respeito. Mas, nos bastidores, dois nomes despontam como possíveis vices de Pazolini. Os dois são do PSD, de fora da Grande Vitória e contam com um perfil que, de maneiras distintas, complementariam a chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Vitória.

O primeiro nome seria da primeira-dama de Colatina, a médica Lívia Vasconcelos. Jovem, mãe de dois bebês e cirurgiã oncológica, Lívia é pré-candidata à deputada estadual, mas com possibilidade de “subir” para o posto de vice.
Lívia é de uma família tradicional da região, mas nunca disputou cargo eletivo. Sempre atuou nos bastidores, auxiliando nas campanhas do marido.
A leitura do mercado político é que, numa chapa com Pazolini, Lívia agregaria para um equilíbrio de gênero – por ser mulher e poder atrair o voto feminino –, para um equilíbrio geográfico – tendo em vista que é do interior, onde Pazolini tem mais dificuldade de entrada – e também somaria fazendo a ponte nas áreas da saúde e agro.

O segundo nome seria do ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon, que passou a ser cotado para compor a chapa com Pazolini em setembro do ano passado, numa articulação que envolveria Hartung.
A estratégia em torno do nome de Guerino seria parecida. Linhares é o sexto maior colégio eleitoral do Estado – perdendo apenas para a Região Metropolitana e para Cachoeiro.
E, embora não tenha conseguido reeleger seu aliado em 2024, Guerino soma um capital político considerável. Seu nome na chapa, portanto, também contribuiria para o equilíbrio regional de votos, já que Pazolini é mais conhecido na Grande Vitória.
Segundo, Guerino soma cinco mandatos como prefeito de Linhares. Aos 70 anos, leva na bagagem a experiência de muitos mandatos e agregaria à chapa um contraponto geracional a Pazolini – que está na casa dos 40 –, além de equilibrar a disputa diante do governador Ricardo Ferraço (MDB), que também chega à eleição respaldado por uma longa trajetória na vida pública.





















































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